terça-feira, 30 de novembro de 2010

Nãooo!...Você não entendeu, o nome dele é WAL- ZE -DE- CK!

A minha ligação com ele começa na infância. Das lembranças e saudades que eu gosto de ter ele está incluído. Quando criança eu não entendia muito bem o que esse menino tinha de diferente para estar sempre em consultórios médicos, passando por cirurgias, se recuperando com as perninhas engessadas; na época, eu nunca parei para reparar nisso, perceber conscientemente que ele sofria alguns problemas de saúde (talvez porque eu fosse uma criança), enfim...fosse como fosse o mais importante era sempre vê-lo recuperado passando as férias de julho aqui na cidade nas montanhas intrínsecas , cidade do coração dele.
É claro que eu tenho que admitir que al
gumas vezes me comportava como uma criancinha chata e briguenta!(rsrs) Não queria que ele dividisse a sua atenção com a Taty, com seus primos, quando isso acontecia, pronto! Lá estava eu chorando e inventado um motivo para tentar fazer com que sua avó ou minha mãe desse uma boa bronca nele!( rsrs). Quantas vezes o tirei do sério, ficava “doido de bravo” comigo; mas era coisa de criança, logo passava.Um episódio hilário,e que ele ficou irritadíssimo foi quando nós caímos numa espécie de riozinho que tinha num pesqueiro de truta,o Pesca na Cachoeirinha(longe!), eu tentei ajudá-lo quando percebi que ele havia tropeçado, mas sem sucesso, seu peso me puxou e caímos na água.(rsrs)
São tantas histórias!
Lembro-me de esperar ansiosamente por várias vezes uma ligação da sua família, dizendo se viria ou não no próximo feriado ou nas férias. Quando o telefone tocava e sabia que era do Rio não deixava nem a minha mãe terminar de falar com a D. Orminda e já ía perguntando com ar de euforia:
-Mãe, mãe, mãe o Walzinho vai vir?
Dependendo da resposta eu era capaz de passar um bom tempo bem chateada, ou começar ali mesmo a minha contagem regressiva! E essa cena se repetia ao longo dos anos.
Acampamentos no jardim, ahh... Esses eram uma aventura e tanto! Ver as estrelas com os critérios de um astrônomo, isso não era o problema! Ele tinha todo material necessário! Livros, guia de constelações e principalmente a luneta tão apreciada por ele. Queria marshmellows? Tinha! A moda americana, no espeto, só que tostado na lareira!
Definitivamente eu posso dizer que ele cedia praticamente todos os meus pedidos, e eu também tentava atender os deles. Lembro-me de muitas vezes que ele encarou um programa que não o agradava só pra eu não ficar chateada com ele, tipo me esperar na porta da igreja, jogar Sonic repetidas vezes...enfim, tudo valeu a penaA minha escolha pela gastronomia? Sim! Ele teve uma grande contribuição! Ainda quando crianças já fazíamos os nossos pratos (ainda que muita das vezes estes fossem intragáveis, a D. Orminda sabe muito bem do que eu estou falando!rsrs), uma quantidade generosa de pimenta, molho inglês, fondor...sei lá! Era tanta mistura que era praticamente uma gastronomia molecular. Recordo-me que nem faz muito tempo assim, talvez uns dois anos atrás, época que o Wal vinha sozinho para o” Recanto até que enfim”, em que ele me chamou pra jantar em sua casa:
-Bruna... Deixa comigo! Depois que você sair da igreja vem pra cá que eu vou fazer um janta muito boa pra gente, tem cebola caramelada e tudo!
E tinha mesmo! Só que não era só a cebola que estava caramelada, o açúcar utilizado para a produção dessa complexa cebola, adoçou o macarrão, o frango e os legumes...uma espécie de comida agridoce....o prato era bem montado, tipo um empratado de menu confiancé (menu em que o cliente aposta na criatividade do chef) . Eu comi o prato inteiro (mesmo estando super doce, rsrs), não reclamei uma palavra, ele tinha feito com tanto empenho que não quis chateá-lo.
As viagens para o Rio de Janeiro?Ah...essas foram inesquecíveis, só trouxe muito aprendizado. Na maioria das vezes eu o esperava sair da escola, e na parte da tarde e de noite saíamos para algum lugar. Um episódio que me marcou essa época, ano de 2007, foi uma vez que eu esperei o Walzinho chegar do colégio, e logo após pegamos um taxi para um shopping de Jacarepaguá, o qual ele que ele tinha certeza absoluta de onde ficava situado, e nessa certeza quase que infalível demos voltas e voltas, e ele pagou um absurdo de taxi!

Nesses últimos tempos eu reconheço que infelizmente andei meio distante, nós nos falávamos só por MSN , a última vez em que conversamos ele já estava no hospital, até brincou que estava meio “doentinho” e me pediu pra ir visitá-lo para fazer umas comidinhas diferentes pra ele. Não deu tempo... Senti muito por isso!
Eu posso imaginar como foi difícil para sua família perdê-lo. Inúmeras vezes tentei dimensionar o sofrimento da sua família, e todas as noites pedia a Deus pra dar forças a ela. Mas posso dizer que por aqui, superar essa perda também não foi e nem tem sido uma tarefa muito fácil! Devo dizer que quando recebi o telefonema da sua avó pela manhã, avisando que ele já tinha partido meu dia definitivamente acabou! Naquele dia mesmo estando muito triste e chateada, eu fui pra faculdade aos prantos (fui mesmo pra me distrair, porque se não ficaria em casa tendo uma crise de choro); Minhas produções culinárias durante a avaliação daquele dia não saíram, e eu cortei quatro dedos na faca chef, e chorava desesperadamente, que perda terrível! E assim eu permaneci durante aquela semana.
Após isso tenho tentado me acostumar com essa falta, é difícil acreditar que ele jamais passará um feriado prolongado ou uma férias aqui! Outro dia desses quando encontrei com Sr. Luiz Carlos (seu avô) aqui em
casa, não pude segurar as lágrimas!
Mais uma vez eu devo agradecer a Deus por ter colocado um amigo tão especial em meu caminho, que fez tanta diferença em minha vida, parece até redundante, mas eu não tenho com expressar o quanto me senti privilegiada ao conviver tanto tempo com ele!


Da memória e do coração de quem você jamais sairá,
Bruna.

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